Abilio Brunini chama derrota de Flávio Bolsonaro de “livramento” e prevê crise econômica em 2027
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial pode ter sido um “livramento” diante das dificuldades econômicas que, segundo ele, o Brasil poderá enfrentar em 2027. Em declaração feita na terça-feira (27), o gestor comparou o cenário previsto ao período de crise vivido durante o segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Abilio atribuiu os riscos econômicos a decisões do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e alegou que medidas adotadas durante a campanha eleitoral teriam ampliado as despesas públicas. Segundo o prefeito, cerca de R$ 20 bilhões teriam sido remanejados do orçamento para financiar o que classificou como um “pacote de bondades”.
Durante a coletiva, ele também afirmou que grande parte dos recursos federais estaria comprometida com despesas obrigatórias, limitando a capacidade de investimento do governo.
“O Lula já está repensando na escala 6×1. A dívida do Governo Federal já está com 97% do orçamento compromissado com as despesas essenciais. Então, não tem mais dotação orçamentária para investimentos”, declarou.
Prefeito prevê cortes e aumento de preços
Entre os possíveis impactos que mencionou para 2027, Abilio citou eventuais cortes no Minha Casa, Minha Vida, mudanças no Bolsa Família e aumento nos preços dos combustíveis. Ele também afirmou que grandes empresas estariam encerrando atividades no Nordeste, mas não apresentou exemplos ou dados para sustentar a declaração.
“Tudo o que era promessa parou de cumprir no segundo dia após a vitória. Já temos até empresas grandes fechando as portas na região do Nordeste”, disse.
Na avaliação do prefeito, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro faria com que o novo governo fosse responsabilizado por uma possível deterioração econômica. Com a vitória de Lula, Abilio afirmou que a oposição teria mais espaço para atribuir os problemas à atual gestão federal.
“Quando essa bomba caísse no colo do Flávio, todos iam ficar justificando: ‘Está vendo o que dá votar em bolsonarista?’. Mas, como o Lula ganhou, os petistas vão ficar calados. Nós, da direita, sofremos uma noite só. No outro dia, já veio a realidade”, afirmou.
As previsões apresentadas pelo prefeito representam sua avaliação sobre o cenário futuro e não foram acompanhadas, na declaração, de dados que comprovem a ocorrência dos impactos mencionados.
Abilio relembra derrota eleitoral em 2020
Durante a mesma manifestação, o prefeito recordou a disputa pela Prefeitura de Cuiabá em 2020, quando perdeu para Emanuel Pinheiro (MDB) por uma diferença de aproximadamente um ponto percentual.
Abilio afirmou que o resultado acabou favorecendo sua trajetória pessoal e política, pois lhe permitiu dedicar mais tempo à família e, posteriormente, conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados, em 2022. Em 2024, ele voltou a disputar o comando da capital mato-grossense e venceu a eleição municipal.
Ao comentar a gestão de seu antecessor, Abilio atribuiu a Emanuel Pinheiro problemas financeiros e atrasos no pagamento de servidores. Também mencionou uma dívida superior a R$ 2 bilhões, que comparou à receita municipal.
“Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Todas as ‘bombas’ que iam cair no meu colo caíram no do Emanuel. Tanto que ele terminou o mandato devendo o salário do servidor público, com uma dívida de mais de R$ 2 bilhões, equivalente à receita da Prefeitura. A cidade passou por um caos nas mãos dele”, declarou.
Comparação com o segundo governo Dilma
A expressão “Dilma 2” foi utilizada por Abilio para comparar suas projeções econômicas ao período em que Dilma Rousseff iniciou seu segundo mandato presidencial, em janeiro de 2015.
Naquele período, o Brasil enfrentou uma grave recessão, acompanhada de instabilidade política. Dilma foi afastada temporariamente da Presidência em maio de 2016 e perdeu definitivamente o mandato em agosto do mesmo ano, após a conclusão do processo de impeachment no Senado.
A comparação feita pelo prefeito se baseia em sua expectativa de que o país enfrente dificuldades semelhantes em 2027, cenário que ainda depende da evolução das contas públicas e das decisões econômicas adotadas pelo governo federal.

