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Famílias da ocupação Lindalma Soares temem perder moradias com construção de nova ponte em Teresina

Moradores da ocupação Lindalma Soares, na zona Norte de Teresina, temem perder suas moradias em razão do projeto de construção de uma nova ponte entre o bairro Poti Velho e a região da Grande Santa Maria da Codipi. Além da possibilidade de remoção de famílias, os residentes demonstram preocupação com o risco de alagamentos na área prevista para receber uma das alças de acesso da estrutura.

O impasse deverá ser debatido na Câmara Municipal de Teresina, onde os moradores reivindicam esclarecimentos sobre os impactos da obra e a situação dos terrenos ocupados. Uma audiência pública prevista para esta quarta-feira (14) foi cancelada devido a problemas no fornecimento de energia elétrica no prédio do Legislativo.

A Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU) Norte foi procurada para se posicionar sobre as reclamações, mas não apresentou manifestação a respeito dos questionamentos dos moradores.

A nova ponte está projetada para ter 252 metros de extensão e 12,6 metros de largura, com três faixas para veículos, além de espaço destinado a ciclistas e pedestres. A proposta prevê a implantação de um sistema binário de circulação: a ponte Mariano Castelo Branco ficará responsável pelo fluxo no sentido Poti Velho–Santa Maria da Codipi, enquanto a nova estrutura atenderá os veículos no sentido contrário.

O projeto foi apresentado à Prefeitura de Teresina e depende da articulação de recursos junto ao Governo Federal e à bancada parlamentar. A estimativa é de que a intervenção contribua para melhorar a mobilidade na região, considerando que mais de 12 mil veículos e aproximadamente 9 mil ciclistas utilizam diariamente a ponte atual, que conta com apenas uma faixa de rolamento em cada sentido.

Apesar dos benefícios esperados para o trânsito, a localização de uma das alças de acesso gera preocupação entre os moradores da ocupação Lindalma Soares. O vereador João Pereira (PT) afirma que a área apresenta características de terreno alagadiço e precisa de um planejamento adequado de drenagem para evitar transtornos, especialmente durante o período chuvoso.

Além dos possíveis alagamentos, as famílias temem que o traçado da obra alcance terrenos onde já existem ocupações ou onde os moradores pretendem construir suas casas.

O vereador defende a execução da ponte, mas considera necessário ouvir a população antes de avançar com as intervenções. Segundo ele, a audiência pública deverá reunir moradores e representantes do poder público para esclarecer dúvidas e buscar alternativas para os possíveis impactos sociais do projeto.

Regularização dos terrenos também preocupa moradores

A situação fundiária da ocupação é outro ponto importante na discussão. Conforme João Pereira, a área está dividida em três partes, denominadas Lindalma Soares 1, 2 e 3.

A primeira área teve a regularização reconhecida por meio de um decreto publicado durante a gestão do ex-prefeito Dr. Pessoa. Já os procedimentos referentes às outras duas partes não avançaram depois que a administração municipal apontou a necessidade de reservar terrenos para intervenções de drenagem.

A situação se tornou ainda mais delicada com o planejamento da nova ponte, uma vez que parte dos terrenos ocupados poderá ser afetada pela construção. As famílias querem esclarecimentos sobre a possibilidade de permanência no local e sobre as medidas que poderão ser adotadas caso seja necessária a desocupação de determinadas áreas.

João Pereira afirma que a intenção é promover o diálogo entre os moradores e a Prefeitura para encontrar uma solução que permita conciliar a melhoria da infraestrutura viária com a garantia de condições adequadas de moradia.

Entre as alternativas defendidas pelo parlamentar está a transferência das famílias que eventualmente forem atingidas para outra área, com condições habitacionais asseguradas. A proposta é discutir os impactos da obra antes de qualquer medida que possa comprometer a permanência dos moradores.

A realização da audiência pública deverá permitir que a comunidade apresente suas reivindicações e que os órgãos municipais esclareçam como serão conduzidas a execução do projeto, a drenagem da região e a regularização dos terrenos.

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