Reunião reservada entre Moraes e dirigentes da PF aumenta desgaste entre ministros do STF
Um encontro realizado entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e integrantes da cúpula da Polícia Federal (PF) ampliou o clima de desconfiança entre membros da Corte. A reunião ocorreu em 6 de outubro, no gabinete do magistrado, e não apareceu nas agendas oficiais do Supremo ou da corporação.
Participaram do encontro o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o diretor de Inteligência, Leandro Almada, e o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Dennis Cali. Até o momento, o motivo da reunião não foi divulgado oficialmente.
O encontro aconteceu às vésperas da entrega prevista de um relatório da Polícia Federal ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. O documento deve reunir referências a integrantes da Corte encontradas durante as apurações relacionadas ao Banco Master, incluindo informações sobre a relação entre Moraes e o empresário Daniel Vorcaro.
Reunião repercute em meio a divergências no Supremo
A reunião também passou a ser associada, nos bastidores do tribunal, à iniciativa do ministro Luiz Fux de solicitar acesso a investigações conduzidas por Moraes. O pedido abrangia procedimentos relacionados à tentativa de golpe de Estado, às milícias digitais e ao inquérito das fake news.
Fux pretende examinar questionamentos apresentados pelo partido Progressistas (PP), que contesta a condução de investigações e pede a anulação de atos e provas. O ministro afirmou precisar consultar os documentos antes de avaliar os argumentos. Posteriormente, Fachin barrou o acesso imediato ao material do inquérito das fake news, ao informar que os procedimentos ainda passam por análise.
O episódio ocorre em um cenário de divergências entre ministros sobre a condução de investigações, a atuação da Polícia Federal e os procedimentos adotados em casos envolvendo integrantes do próprio Supremo.
Caso Banco Master amplia pressão sobre a Corte
As discussões em torno do Banco Master elevaram a pressão sobre o STF após a divulgação de informações que aproximaram Vorcaro de autoridades e levantaram questionamentos sobre procedimentos investigativos. As circunstâncias também provocaram divergências entre ministros a respeito da atuação da PF e do tratamento dado aos documentos obtidos durante as apurações.
A Polícia Federal, por sua vez, já declarou que atua em cumprimento de suas atribuições legais e de determinações judiciais. O motivo específico do encontro entre Moraes e os dirigentes da corporação não foi esclarecido publicamente.
A expectativa em torno do relatório e os questionamentos sobre investigações sob responsabilidade do Supremo mantêm o episódio no centro das discussões internas da Corte.

