MPF pede novo inquérito da PF para aprofundar investigação contra suposto falso trader
O Ministério Público Federal (MPF) solicitou à Polícia Federal a abertura de um novo inquérito para aprofundar as investigações envolvendo Pedro Gil Fonseca Duarte, apontado pelas autoridades como suspeito de participar de um esquema de fraude financeira com ramificações no Piauí e no Distrito Federal.
O pedido foi apresentado pelo procurador Israel Gonçalves Santos Silva à 1ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Piauí, com o objetivo principal de ampliar a análise das movimentações bancárias atribuídas ao investigado e verificar a possível ligação entre diferentes casos de estelionato e a chamada Operação Alavancada.
Um dos episódios analisados teve como vítimas um casal de Floriano, no Sul do Piauí. Segundo a investigação, em 2021, os dois teriam entregue um Toyota Etios a Pedro Gil após a promessa de que o valor correspondente ao veículo seria investido no mercado financeiro, com uma suposta rentabilidade de 20% ao mês.
De acordo com os elementos reunidos no caso, o pagamento prometido não teria sido realizado e o veículo acabou sendo transferido para terceiros. O automóvel teria passado por uma revenda em Teresina antes de chegar a um policial militar. Para o MPF, a circulação do bem pode ajudar a esclarecer como recursos e patrimônios eram movimentados dentro da estrutura investigada.
Investigação também alcança o Distrito Federal
As suspeitas envolvendo Pedro Gil não se restringem ao Piauí. No Distrito Federal, ele é investigado pela Polícia Civil por um suposto esquema que teria causado prejuízos superiores a R$ 1 milhão.
Conforme as investigações, o suspeito teria utilizado a imagem de um investidor bem-sucedido para conquistar a confiança de potenciais clientes. Parte das vítimas teria sido atraída por promessas de altos rendimentos em operações envolvendo criptomoedas e investimentos no mercado financeiro.
Entre os supostos investidores estariam pessoas ligadas à área militar, atraídas, segundo a investigação, por vínculos de confiança estabelecidos por meio do pai de Pedro Gil, que seria policial militar da reserva. A estimativa apresentada no caso aponta para mais de uma centena de possíveis vítimas no Distrito Federal.
A empresa 2P Investimentos também aparece no contexto das apurações.
Contas de terceiros entram no radar
Outro ponto que deverá ser aprofundado pela Polícia Federal é a movimentação de recursos por meio de contas bancárias de terceiros.
Segundo o MPF, após o bloqueio judicial de contas relacionadas a Pedro Gil e à irmã dele, Isabela Duarte, valores teriam passado a circular por uma conta atribuída a Erasmo Cássio Alves da Silva.
A análise dessas operações financeiras deverá buscar identificar a origem e o destino dos recursos, além de verificar eventual relação entre as diferentes pessoas e empresas investigadas.
O MPF também pretende cruzar as informações financeiras com dados e documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo os elementos mencionados na investigação, Pedro Gil e empresas relacionadas a ele não possuíam autorização para atuar regularmente no mercado de capitais nas condições apresentadas aos investidores.
Conexão entre os casos
Para o Ministério Público Federal, a apuração dos episódios de forma isolada poderia dificultar a compreensão da estrutura financeira investigada. A intenção é verificar se o caso de Floriano possui conexão com os fatos já apurados na Operação Alavancada.
A investigação busca esclarecer ainda a dimensão das movimentações financeiras e a eventual existência de uma estrutura organizada para captar, transferir ou ocultar recursos.
A defesa de Pedro Gil, por sua vez, contesta a caracterização dos fatos como crimes e sustenta que parte das controvérsias teria natureza contratual e civil.
Com a abertura de um novo inquérito, a Polícia Federal deverá aprofundar o rastreamento das movimentações financeiras e reunir informações de diferentes investigações. O objetivo é esclarecer a origem dos valores, identificar possíveis beneficiários e verificar se existe uma conexão entre os casos registrados no Piauí e no Distrito Federal.
As acusações ainda estão sob investigação e eventual responsabilidade criminal dependerá da produção de provas e das decisões judiciais no decorrer dos processos.

