Trump endurece discurso na ONU e ameaça uso de força militar contra cartéis na América Latina
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender uma atuação mais agressiva no combate ao narcotráfico durante discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em Nova York, na terça-feira (22). Ao abordar a segurança no Hemisfério Ocidental, Trump afirmou que os Estados Unidos estão dispostos a utilizar sua força militar para proteger o que considera interesses nacionais.
Durante a fala, que durou cerca de 40 minutos, o presidente americano citou as ações realizadas na Venezuela e afirmou que os Estados Unidos não permitirão que ameaças contra o país avancem na região. Segundo Trump, o governo poderá recorrer ao poderio militar caso considere necessário.
O combate aos cartéis de drogas ocupou parte importante do discurso. Trump comparou organizações criminosas latino-americanas ao Estado Islâmico (ISIS) e afirmou que as Forças Armadas americanas foram mobilizadas para combatê-las. A declaração ocorre em meio à ampliação das ações militares dos Estados Unidos contra embarcações que Washington afirma estarem envolvidas com o tráfico de drogas.
Pressão sobre países da região
Trump também direcionou críticas ao México, que classificou como o principal centro da violência provocada pelos cartéis. O presidente americano afirmou que considera inaceitável a existência de áreas sob controle de organizações criminosas em um país que faz fronteira com os Estados Unidos.
A postura faz parte de uma estratégia mais ampla do governo americano para ampliar a cooperação regional contra o crime organizado. Nos dias que antecederam o discurso, os Estados Unidos reuniram países latino-americanos na chamada coalizão Escudo das Américas, criada para coordenar ações contra organizações criminosas e o tráfico de drogas.
O grupo anunciou medidas contra 24 organizações consideradas criminosas pelos Estados Unidos. Entre os alvos estão facções brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, além de grupos de outros países da América Latina.
Venezuela e Cuba
No discurso, Trump também mencionou a Venezuela e destacou as ações realizadas pelos Estados Unidos no país. O presidente americano afirmou que as operações demonstrariam a disposição de Washington de ampliar sua atuação no Hemisfério Ocidental.
Trump voltou ainda a fazer críticas a Cuba. A delegação cubana deixou o plenário durante o discurso em protesto contra as declarações do presidente americano.
A posição apresentada por Trump na ONU ocorre em um momento de intensificação da presença dos Estados Unidos na política de segurança da América Latina. A estratégia tem provocado reações de governos e organizações da região, especialmente diante das declarações sobre a possibilidade de utilização de força militar.

