Delegados da PF pedem que Paulo Gonet se declare impedido no caso Banco Master
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) pediu que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido de atuar em procedimentos relacionados aos fatos em que seu nome aparece no âmbito da investigação envolvendo o Banco Master.
A manifestação foi divulgada no sábado (5), um dia depois de Gonet determinar a abertura de um Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial para apurar as circunstâncias da elaboração de um relatório produzido pela Polícia Federal durante a investigação.
O documento da PF, que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), reúne informações extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro e menciona, entre outros nomes, o ministro Alexandre de Moraes e o próprio Paulo Gonet.
A ADPF afirmou que recebeu com preocupação a abertura do procedimento contra os policiais responsáveis pelo relatório. Segundo a entidade, a medida pode gerar efeito intimidatório sobre investigadores e comprometer a autonomia da atividade policial. A associação também solicitou o arquivamento do procedimento instaurado pela Procuradoria-Geral da República.
A entidade representa mais de 2,3 mil delegados da Polícia Federal e sustenta que Gonet deveria se afastar da análise de fatos nos quais aparece citado. O pedido considera as regras de impedimento e suspeição aplicáveis a integrantes do Ministério Público.
A controvérsia ganhou força após a divulgação de informações sobre contatos entre Gonet e pessoas ligadas ao Banco Master. Entre os elementos mencionados está um convite para participação em um evento jurídico em Londres, que teria sido patrocinado pelo grupo ligado ao banco. O nome do procurador-geral aparece no material analisado pela PF.
O relatório também trouxe informações sobre a relação entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Entre os documentos analisados estão registros relacionados a um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Segundo dados extraídos do celular de Vorcaro, metadados do documento indicam que uma versão do contrato foi aberta e modificada por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O escritório da advogada confirmou que o ministro foi consultado durante o processo de contratação para verificar eventual existência de impedimentos legais.
O contrato, datado de janeiro de 2024, previa honorários de aproximadamente R$ 131 milhões ao longo de três anos. O escritório afirmou que os serviços foram efetivamente prestados e que não havia impedimento legal para a contratação.
A abertura do procedimento pela PGR e o pedido de impedimento apresentado pela ADPF agora colocam sob debate a condução institucional das apurações relacionadas ao caso Banco Master. Até o momento, o pedido da associação para que Gonet se declare impedido não representa uma decisão de afastamento, mas uma solicitação formal para que ele deixe de atuar nos fatos em que é citado.

