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Lula relata atuação para libertar presos envolvidos no sequestro de Abílio Diniz

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva relatou como participou das articulações que resultaram na libertação de dez brasileiros envolvidos no sequestro do empresário Abílio Diniz, ocorrido em 1989. O episódio voltou a chamar atenção pelas declarações do presidente sobre sua atuação em favor dos presos, que haviam sido condenados pelo crime.

Segundo Lula, os envolvidos estavam presos havia cerca de dez anos e alguns deles iniciaram uma greve de fome, com a ameaça de entrar em uma greve seca, quando também deixariam de consumir água. O presidente afirmou que procurou o então ministro da Justiça, Renan Calheiros, e posteriormente conversou com o então presidente Fernando Henrique Cardoso.

No relato, Lula disse que pressionou FHC a autorizar a libertação dos presos, argumentando que o presidente poderia ser lembrado pela história como um democrata ou como alguém que teria permitido que os jovens morressem na prisão.

De acordo com Lula, FHC teria condicionado a libertação ao fim da greve de fome. O atual presidente afirmou então ter ido à prisão em 31 de dezembro para negociar diretamente com os detentos. Segundo ele, os presos deram a garantia de que encerrariam o protesto e, posteriormente, foram libertados.

A declaração provoca questionamentos justamente porque Lula descreve uma atuação direta para intermediar a saída da prisão de pessoas condenadas por participação em um dos crimes de maior repercussão do Brasil naquele período. Embora o presidente tenha apresentado sua iniciativa como uma ação humanitária para evitar a morte dos detentos, o episódio também levanta o debate sobre os limites da interferência política em casos envolvendo condenados pela Justiça.

O sequestro de Abílio Diniz, empresário do Grupo Pão de Açúcar, ocorreu em dezembro de 1989, em São Paulo. O caso envolveu integrantes de diferentes nacionalidades e teve grande repercussão nacional. Os sequestradores foram presos após a operação policial que levou à localização do cativeiro.

Em sua fala, Lula afirmou ainda que não sabe qual foi o destino dos envolvidos após a libertação.

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