Harvard pagará mais de R$ 276 milhões após escândalo envolvendo corpos doados para pesquisa
A Universidade Harvard, nos Estados Unidos, concordou em pagar US$ 53 milhões, o equivalente a mais de R$ 276 milhões, para encerrar processos movidos por familiares de pessoas que doaram seus corpos para pesquisa e educação médica. O acordo ainda depende de aprovação judicial.
As ações foram apresentadas após a descoberta de um esquema envolvendo Cedric Lodge, ex-gerente do necrotério da Harvard Medical School. Ele foi acusado de retirar partes de corpos doados à instituição e vendê-las ilegalmente para compradores em diferentes estados americanos.
Segundo as investigações, o esquema ocorreu entre 2018 e 2023 e envolveu a retirada de partes como cérebros, pele, mãos e rostos. Lodge transportava alguns dos restos mortais para sua residência em New Hampshire, onde eram comercializados. Ele acabou condenado a oito anos de prisão. A esposa dele, Denise Lodge, também foi condenada por participação no esquema.
Os processos foram movidos por familiares que acusaram Harvard de negligência na proteção dos restos mortais confiados à instituição. Ao todo, 47 parentes participaram das ações, que envolvem pessoas cujos corpos foram potencialmente afetados pelo esquema. O acordo contempla doadores cujos restos foram entregues à Harvard Medical School entre 1º de janeiro de 2018 e 31 de março de 2023.
Além da indenização, Harvard deverá adotar medidas para reformular seu programa de doação anatômica. A instituição também prevê uma manifestação pública reconhecendo a gravidade dos crimes e a criação de uma bolsa anual para estudantes de medicina em homenagem aos doadores.
A universidade afirmou que não tinha conhecimento das ações de Lodge e classificou o caso como uma grave violação dos princípios éticos da instituição. A distribuição dos valores do acordo deverá ocorrer somente após as etapas de aprovação judicial e poderá levar alguns meses.

