Ponte Salvador-Itaparica será administrada por estatais chinesas com concessão de 35 anos
As obras da Ponte Salvador-Itaparica, considerada a maior ponte sobre o mar da América Latina, foram iniciadas em julho e marcaram o avanço de um dos maiores projetos de infraestrutura do país. Com 12,4 quilômetros de extensão sobre a Baía de Todos-os-Santos, a estrutura será construída e administrada por um consórcio formado por duas estatais chinesas: a China Communications Construction Company (CCCC) e a China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC).
Pelo contrato de concessão, as empresas serão responsáveis pela construção da ponte e pela operação do sistema de pedágio durante 29 anos, dentro de uma concessão total de 35 anos.
O investimento previsto é de R$ 11,6 bilhões. Desse montante, R$ 6,1 bilhões serão provenientes de recursos públicos brasileiros, sendo R$ 3 bilhões da União e R$ 3,1 bilhões do Governo da Bahia. Os demais recursos ficarão a cargo da concessionária.
A participação das empresas chinesas também desperta debates no campo geopolítico. A CCCC integra a lista NS-CMIC do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, que reúne companhias apontadas pelo governo norte-americano como ligadas ao complexo militar-industrial da China. Em razão dessa classificação, investidores dos Estados Unidos enfrentam restrições legais para adquirir ações da empresa.
O projeto é considerado estratégico para a mobilidade e o desenvolvimento econômico da Bahia, ao conectar Salvador à Ilha de Itaparica e reduzir o tempo de deslocamento na região. Ao mesmo tempo, especialistas e analistas discutem os impactos da crescente participação de empresas estatais chinesas em setores considerados estratégicos da infraestrutura brasileira, como energia, portos, logística e transporte.
Apesar das discussões sobre a participação estrangeira na concessão, o governo da Bahia defende que a obra será fundamental para impulsionar o turismo, o comércio e a integração regional, além de gerar empregos durante sua execução.

