Após os 50 anos, ganhar massa muscular pode ser mais importante do que perder peso, apontam especialistas
Durante décadas, a prática de exercícios físicos foi associada principalmente ao emagrecimento e à redução do peso na balança. No entanto, especialistas têm reforçado que, especialmente após os 50 anos, a construção e a manutenção da massa muscular podem ser ainda mais importantes para a saúde, a autonomia e a qualidade de vida.
A explicação está relacionada ao processo natural de envelhecimento. Com o passar dos anos, o organismo perde gradualmente massa muscular, fenômeno conhecido como sarcopenia. Embora muitas pessoas associem esse problema apenas à velhice, a perda muscular começa de forma lenta a partir dos 30 anos e tende a se intensificar nas décadas seguintes.
Estudos apontam que a redução da massa muscular acelera após os 50 anos. Nessa fase, a perda anual pode variar entre 0,5% e 2%. A partir dos 60 anos, esse percentual pode chegar a até 5% por ano, enquanto após os 70 anos a redução tende a ser ainda mais acentuada.

Além do envelhecimento, fatores como sedentarismo, predisposição genética, doenças crônicas, alimentação inadequada e o uso prolongado de determinados medicamentos também contribuem para o avanço da perda muscular.
A diminuição da massa muscular afeta diretamente atividades cotidianas, como caminhar, subir escadas, levantar-se de uma cadeira, carregar objetos e manter o equilíbrio. Com menos força e mobilidade, aumenta o risco de quedas, fraturas e perda da independência funcional.
Entre os idosos, as quedas representam uma das principais causas de acidentes graves. Além dos impactos físicos, episódios desse tipo podem resultar em longos períodos de internação e recuperação, comprometendo ainda mais a capacidade funcional dos pacientes.
Especialistas alertam que a preocupação exclusiva com a balança pode levar a interpretações equivocadas sobre a saúde. Isso porque perder peso não significa necessariamente melhorar a composição corporal. Em muitos casos, uma pessoa pode ganhar peso e, ao mesmo tempo, apresentar melhora na saúde por estar aumentando a quantidade de massa muscular e reduzindo gordura corporal.
Os músculos desempenham papel importante também no metabolismo. Por serem tecidos metabolicamente ativos, consomem energia constantemente, inclusive durante períodos de repouso. Dessa forma, o aumento da massa muscular contribui para um maior gasto calórico diário e auxilia no controle do peso corporal.

Para especialistas, o ideal é começar a investir na construção dessa reserva muscular o quanto antes. A prática regular de atividades como musculação, pilates e exercícios resistidos é apontada como uma das principais estratégias para preservar a força física ao longo da vida.
A alimentação também é considerada fundamental nesse processo. O consumo adequado de proteínas fornece os nutrientes necessários para a manutenção e o desenvolvimento muscular. Entre pessoas mais velhas, a atenção à ingestão proteica torna-se ainda mais importante, já que muitos idosos acabam consumindo quantidades abaixo do recomendado.
Combinando exercícios físicos e alimentação equilibrada, é possível reduzir os efeitos da perda muscular associada ao envelhecimento e preservar a independência por mais tempo. Para especialistas, encarar a massa muscular como uma reserva para o futuro pode ser uma das estratégias mais eficazes para envelhecer com saúde e qualidade de vida.

