Bactéria em produtos da Ypê pode causar infecções graves, alertam especialistas
A bactéria Pseudomonas aeruginosa, identificada em produtos da Ypê, pode representar risco à saúde, especialmente para pessoas imunocomprometidas, segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil após a decisão da Anvisa de suspender a venda e determinar o recolhimento de itens da marca com lote final 1. A medida atinge detergentes lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes, após a agência apontar falhas graves no processo de produção.
O infectologista Celso Ferreira Ramos Filho afirmou que a bactéria é conhecida pela resistência a antibióticos e costuma provocar infecções em ambientes hospitalares, sobretudo em pacientes com traqueostomia, respirador ou cateter venoso. Ele explicou ainda que o micro-organismo é de vida livre e pode sobreviver em água, solo e locais úmidos, o que amplia o risco de contaminação em objetos do dia a dia.
A médica Raiane Cardoso Chamon, professora da Universidade Federal Fluminense, disse que o maior perigo ocorre quando pessoas com a imunidade debilitada entram em contato com a bactéria. Segundo ela, em casos como o de pacientes com fibrose cística, a infecção pode evoluir para pneumonia e o tratamento tende a ser complexo por causa da resistência bacteriana. A especialista destacou ainda que pessoas saudáveis não estão totalmente livres de risco e podem desenvolver quadros como otite, dependendo da cepa.
Raiane Chamon avaliou que a contaminação pode ter ocorrido na fabricação, possivelmente por falhas no controle microbiológico. Já a Ypê informou que, em novembro de 2025, detectou a presença da bactéria em alguns lotes de lava-roupas líquidos e iniciou recolhimento voluntário. Após a nova decisão da Anvisa, a agência orientou consumidores a não utilizarem os produtos atingidos e a entrarem em contato com o SAC da empresa para orientação sobre devolução e descarte.

