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Desembargador investigado por venda de sentenças recebeu mais de R$ 840 mil em salários antes da aposentadoria

O desembargador Júlio Roberto Siqueira Cardoso, alvo da Operação Ultima Ratio, que apura um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, recebeu salários superiores a R$ 200 mil em diferentes meses do primeiro semestre de 2024, período em que se aposentou da magistratura.

Segundo dados salariais, Cardoso acumulou entre janeiro e junho rendimento líquido de R$ 842,2 mil. O valor bruto ultrapassou R$ 1 milhão no período. Os contracheques foram ampliados por pagamentos adicionais referentes a férias, retroativos e chamados “direitos eventuais”. Somados, esses benefícios extras renderam cerca de R$ 650 mil ao magistrado.

Em junho, mês de sua aposentadoria, o desembargador recebeu R$ 248 mil. Em fevereiro, o contracheque chegou a R$ 237 mil.

A Polícia Federal investiga a atuação de Cardoso em um julgamento que teria resultado no pagamento indevido de mais de R$ 5 milhões à advogada Emmanuelle Alves Ferreira da Silva. Os investigadores suspeitam que o magistrado tenha cometido ilegalidades na condução do caso.

Emmanuelle foi presa em 2018 sob acusação de utilizar documentos falsos para tentar aplicar um golpe contra um aposentado, em uma ação que buscava liberar cerca de R$ 5,5 milhões.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul aparece entre os tribunais com maiores remunerações do País, conforme dados do Conselho Nacional de Justiça. A média salarial dos magistrados da Corte gira em torno de R$ 120 mil mensais, mas os chamados “penduricalhos” elevam significativamente os valores recebidos em determinados períodos.

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