Investigação envolvendo servidores da Receita e contratos com a CBF colocam Gilmar Mendes no centro de questionamentos
Uma operação da Polícia Federal realizada em fevereiro deste ano mirou quatro servidores da Receita Federal do Brasil suspeitos de acessarem dados fiscais de familiares do ministro Gilmar Mendes. O caso chamou atenção pela inversão de papéis apontada por críticos: investigadores passaram a ser investigados, fiscais foram alvo de fiscalização e auditores, de auditoria. No entanto, o foco inicial da apuração não sofreu consequências diretas até o momento.
Paralelamente, o patrimônio do ministro segue sendo tema de debate público. Entre os bens atribuídos a ele estão imóveis em áreas valorizadas de Brasília, como Lago Norte e Asa Norte, além de propriedades rurais que somam milhares de hectares no Mato Grosso. Também são citadas participações em empresas e um apartamento localizado no bairro do Príncipe Real, em Lisboa, região considerada uma das mais nobres da capital portuguesa.
Outro ponto que tem gerado repercussão envolve a atuação do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, instituição ligada a Gilmar Mendes. Em agosto de 2023, o IDP firmou um contrato de dez anos com a Confederação Brasileira de Futebol para gerir a CBF Academy, braço educacional responsável por cursos obrigatórios voltados a treinadores, árbitros e gestores do futebol.
Segundo informações divulgadas, o acordo prevê que o IDP fique com a maior parte da receita gerada pela iniciativa, que teria alcançado valores próximos de R$ 10 milhões apenas em 2023. O contrato também contou com a participação de Francisco Mendes, filho do ministro, como um dos signatários.
Além disso, ao menos seis pessoas com ligação ao IDP passaram a ocupar cargos de direção dentro da CBF, ampliando a presença de nomes associados à instituição na estrutura da entidade máxima do futebol brasileiro. Os fatos têm alimentado discussões sobre possíveis conflitos de interesse e a necessidade de maior transparência em relações entre setor público e entidades privadas.

