Crise no Digimais levanta suspeitas de irregularidades e preocupa mercado financeiro
O banco Digimais entrou no radar de autoridades e agentes do mercado após o agravamento de sua situação financeira e a suspeita de práticas irregulares semelhantes às observadas no caso do Banco Master. Informações indicam que o Banco Central do Brasil já vinha, desde 2022, pressionando pela venda da instituição como forma de evitar um cenário mais crítico.
Em meio às dificuldades, o empresário e líder religioso Edir Macedo teria retirado cerca de R$ 2 bilhões ligados à Record que estavam investidos no banco. O movimento teria contribuído para o agravamento do quadro financeiro, que hoje apresenta patrimônio líquido negativo estimado em R$ 8,5 bilhões.
Segundo relatos do mercado, o Digimais teria adotado estratégias para melhorar artificialmente seus balanços, como a valorização inflada de fundos e a emissão de CDBs com rentabilidade de até 125% do CDI. Esses produtos foram distribuídos por plataformas de investimento como XP Inc. e BTG Pactual, com o atrativo adicional da cobertura de até R$ 250 mil pelo Fundo Garantidor de Créditos.
A situação ganhou novos contornos após a identificação de possíveis inconsistências em carteiras de crédito consignado. Um fundo que adquiriu cerca de R$ 650 milhões desses ativos encontrou problemas ao realizar auditorias: aproximadamente 22 mil contratos, que somam cerca de R$ 500 milhões, não apresentariam lastro válido. Há ainda suspeitas de que parte desses créditos tenha origem em operações ligadas ao Banco Master e à empresa Reag.
O episódio acende um alerta no sistema financeiro, especialmente pelo impacto potencial sobre o FGC, que já teria comprometido parte significativa de seu patrimônio em episódios anteriores envolvendo o Banco Master. Agora, o fundo analisa os números do Digimais e discute alternativas para lidar com a situação, incluindo a possibilidade de assumir até 70% das dívidas da instituição — proposta que ainda enfrenta resistência.
Nos bastidores, cresce a pressão para uma intervenção do Banco Central. No entanto, o cenário é considerado sensível, já que o Digimais tem ligação com a Igreja Universal do Reino de Deus e com o partido Republicanos, em um contexto de ano eleitoral.
Diante das incertezas, o mercado financeiro acompanha com atenção os desdobramentos e levanta questionamentos sobre a possibilidade de repetição de um caso semelhante ao do Banco Master, o que poderia ampliar riscos sistêmicos e gerar novos impactos para investidores e instituições.

