PF apreende dinheiro enterrado e investiga ligação entre política e crime organizado em Piracuruca
Uma nova etapa da Operação Escudo Eleitoral colocou o município de Piracuruca, no Norte do Piauí, no centro de uma investigação que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de interferir nas eleições municipais de 2024. A Polícia Federal apreendeu mais de R$ 270 mil em dinheiro vivo, encontrado enterrado em um imóvel, valor que, segundo os investigadores, pode ter sido utilizado para financiar práticas ilegais no processo eleitoral.
As apurações apontam indícios de uso de recursos ilícitos para influenciar resultados eleitorais, incluindo compra de votos e financiamento de campanhas com dinheiro de origem criminosa. O caso levou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) a determinar o afastamento da vereadora de Piracuruca Adriana Fontenele (PT), conhecida como Adriana Enfermeira, além de uma servidora da Assembleia Legislativa do Piauí, ambas citadas por possível envolvimento com o esquema investigado.
De acordo com a Polícia Federal, há suspeitas de que parte dos valores apreendidos tenha ligação com integrantes de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC). O dinheiro teria sido utilizado tanto para sustentar campanhas eleitorais quanto para favorecer a nomeação de familiares em cargos públicos. As condutas investigadas podem configurar crimes como organização criminosa, captação ilícita de votos e lavagem de dinheiro.
Adriana Fontenele foi uma das vereadoras mais votadas no município nas últimas eleições, alcançando mais de 13 mil votos. O caso reacende discussões no estado sobre a infiltração do crime organizado na política local e lembra investigações anteriores que também tiveram repercussão estadual.
Entre elas está a apuração envolvendo a vereadora Tatiana Medeiros (PSB), eleita em Teresina em 2024, que também foi alvo da Operação Escudo Eleitoral no início de 2025. Na ocasião, ela e o companheiro foram presos sob suspeita de envolvimento com crimes eleitorais e organização criminosa ligada a facção atuante no estado.
O processo de Tatiana Medeiros passou por reviravoltas judiciais, incluindo a anulação de provas consideradas centrais, mas decisões posteriores da Justiça Eleitoral mantiveram restrições ao exercício do mandato, além de medidas cautelares como monitoramento eletrônico.
As investigações seguem em andamento, com atuação conjunta da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça Eleitoral. A expectativa é de novos desdobramentos nos próximos meses, em meio a um cenário nacional de operações que buscam coibir a atuação do crime organizado no financiamento e na influência sobre processos eleitorais.

