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EUA capturam petroleiro russo após longa perseguição no Atlântico e intensificam pressão sobre rede de transporte de petróleo sancionado

Os Estados Unidos realizaram uma operação dramática no início de janeiro que resultou na apreensão de um petroleiro russo ligado ao transporte de petróleo venezuelano e de outros países sob sanções. A embarcação, atualmente registrada como Marinera e anteriormente conhecida como Bella-1, foi capturada no Oceano Atlântico Norte, a cerca de meio caminho entre a Islândia e a Escócia, após uma perseguição que durou mais de duas semanas.

A ação envolveu forças da Guarda Costeira dos EUA e apoio de unidades militares norte-americanas, com suporte de reconhecimento aéreo britânico, segundo informações oficiais. A interrupção da operação ocorreu depois que o navio havia escapado de uma tentativa de abordagem no Caribe e alterado seu nome e bandeira de registro, passando a ostentar a bandeira russa em uma aparente tentativa de dificultar sua captura.

Autoridades dos EUA afirmam que a apreensão faz parte de um esforço mais amplo para romper rotas usadas por uma chamada “frota fantasma” de petroleiros que supostamente transportam óleo de países sancionados como Venezuela, Rússia e Irã, burlando bloqueios e restrições impostas por Washington.

Reação internacional e acusações de violação do direito marítimo
A operação provocou fortes críticas por parte de Moscou e Pequim. O governo russo classificou a apreensão como violação do direito internacional e acusou os Estados Unidos de “pirataria”, alegando que o navio estava em águas internacionais e navegava sob registro legal.

A China também declarou que a ação norte-americana “viola severamente o direito internacional”, reforçando a percepção de que a disputa extrapola o campo das simples sanções econômicas e tem impacto diplomático mais amplo.

Esse episódio se insere em um contexto mais amplo de sanções econômicas lideradas pelos Estados Unidos e pela União Europeia para pressionar a Rússia por seu envolvimento na guerra na Ucrânia, restringindo exportações de petróleo e gás, além de outras medidas financeiras destinadas a limitar o financiamento de Moscou.

Implicações econômicas e geopolíticas
Especialistas apontam que ações como essa alteram significativamente a dinâmica do comércio internacional de energia. Enquanto os EUA buscam controlar o fluxo de petróleo que sustenta regimes sancionados, países como China, Brasil e Índia têm mantido importações de petróleo russo com descontos, em parte contornando as restrições e preservando fluxos comerciais essenciais.

No Brasil, isso já se refletiu em pressões sobre o mercado de diesel no cenário de sanções, abrindo debate sobre a necessidade de diversificar fornecedores para reduzir a dependência de petróleo russo, que chegou a representar uma fatia importante das importações em 2024.

A apreensão do Marinera simboliza uma mudança na estratégia de aplicação das sanções — de medidas predominantemente simbólicas para ações concretas de controle de rotas marítimas e fluxos financeiros ligados à venda de petróleo. Especialistas avaliam que, ao enfraquecer essas redes de evasão, os Estados Unidos buscam minar fontes de receita que financiam conflitos e influenciam a geopolítica energética global.

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