Delcy Rodríguez e o redesenho do poder na Venezuela pós-Maduro
Desde que assumiu a presidência da Venezuela, em 5 de janeiro, Delcy Rodríguez iniciou uma série de mudanças em seu entorno mais próximo. As alterações no núcleo do poder indicam possíveis rumos do novo governo e sinalizam um reposicionamento dentro do próprio chavismo.
Rodríguez substituiu ministros, mexeu no gabinete presidencial e trocou o comando da Guarda de Honra Presidencial. Ao mesmo tempo, afastou figuras ligadas diretamente a Nicolás Maduro, reuniu-se em Caracas com o diretor da CIA, Jon Ratcliffe, e firmou um acordo que autoriza os Estados Unidos a comercializar até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano. O movimento rendeu, inclusive, elogios públicos do presidente americano Donald Trump.
Apesar da aproximação com Washington, Delcy mantém a retórica política do chavismo. Em seu discurso de posse, denunciou o que chamou de “sequestro de dois heróis” mantidos como reféns nos Estados Unidos, em referência a Nicolás Maduro e Cilia Flores.
Ainda é cedo para definir com clareza o caminho que Delcy Rodríguez seguirá à frente do país. O cenário depende das disputas internas na Venezuela, das tensões dentro do chavismo e da imprevisibilidade da política externa americana sob Trump.
Mesmo assim, seu histórico político, as escolhas para o círculo de confiança e os nomes que vêm ganhando protagonismo sugerem uma nova fase do chavismo — menos centrada em Maduro, mais pragmática nas relações internacionais e focada em reorganizar o poder para garantir sobrevivência política.

