Estudo identifica cinco conservantes ligados a maior risco de câncer de mama e próstata
Uma pesquisa internacional de grande escala voltou a acender o alerta sobre os impactos do consumo frequente de alimentos industrializados na saúde. Cientistas franceses identificaram que alguns conservantes amplamente usados pela indústria alimentícia estão associados a um aumento no risco de desenvolver determinados tipos de câncer, como os de mama e próstata.
O trabalho analisou dados de mais de 100 mil pessoas ao longo de vários anos e não estabelece uma relação direta de causa e efeito. Ainda assim, os pesquisadores destacam que a exposição contínua a certos aditivos químicos merece atenção, sobretudo quando alimentos ultraprocessados ocupam espaço significativo na dieta diária.
Como a pesquisa foi feita
O estudo acompanhou cerca de 105 mil adultos, com idade média de 42 anos, por um período superior a sete anos. Durante o acompanhamento, os participantes forneceram informações detalhadas sobre alimentação, hábitos de vida e condições de saúde.
Ao longo desse período, 4.226 pessoas receberam diagnóstico de algum tipo de câncer, incluindo câncer de mama, próstata e intestino. Os pesquisadores avaliaram especificamente o consumo de 17 conservantes comuns na indústria de alimentos, buscando possíveis associações com o surgimento da doença.
Conservantes associados a maior risco
Entre os aditivos analisados, cinco se destacaram por apresentarem ligação consistente com maior incidência de câncer. Esses conservantes estão presentes em produtos consumidos rotineiramente por grande parte da população:
- Nitrato de sódio – comum em carnes processadas como bacon, salsicha e salame
- Sorbato de potássio – usado em doces, coberturas, molhos e carnes industrializadas
- Sulfitos – encontrados em biscoitos, cereais, sucos industrializados e embutidos
- Acetatos – empregados em carnes processadas, produtos de panificação e refeições prontas
- Ácido acético – utilizado como conservante e regulador de acidez em alimentos industrializados
Segundo os pesquisadores, esses compostos foram associados a aumentos modestos, porém consistentes, no risco geral de câncer, além de relações específicas com câncer de mama e de próstata.
Possíveis explicações
Os mecanismos biológicos envolvidos ainda não são totalmente compreendidos. No entanto, os cientistas apontam hipóteses como o estímulo a processos inflamatórios crônicos, alterações na resposta do sistema imunológico e possíveis efeitos cumulativos sobre as células ao longo do tempo.
Outro fator relevante é que dietas ricas em alimentos ultraprocessados costumam ser pobres em fibras, antioxidantes e outros nutrientes que ajudam a proteger o organismo, o que pode potencializar riscos à saúde.
Alimentos ultraprocessados em foco
A pesquisa reforça preocupações já levantadas por especialistas em nutrição sobre o consumo excessivo de ultraprocessados. Em alguns países, esses produtos já representam mais da metade das calorias ingeridas diariamente.
Diretrizes nutricionais recomendam priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, grãos integrais, leguminosas, carnes frescas e laticínios com baixo grau de processamento.
O que pode mudar no dia a dia
Os autores do estudo destacam que os resultados não indicam necessidade de pânico, mas reforçam a importância de escolhas mais conscientes. Reduzir o consumo de ultraprocessados, diversificar a alimentação e ler os rótulos com atenção são medidas simples que podem contribuir para a prevenção de doenças e para a saúde a longo prazo.

