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Aldo Rebelo critica paralisação da Ferrogrão e aponta impactos no desenvolvimento e na logística do país

O ex-ministro Aldo Rebelo criticou duramente a paralisação do projeto da Ferrogrão, ferrovia planejada para ligar o município de Sinop (MT) ao porto de Miritituba (PA), em um trecho de aproximadamente 933 quilômetros. Segundo ele, a interrupção da obra representa um entrave estratégico ao desenvolvimento econômico e logístico do Brasil.

De acordo com Rebelo, o projeto foi bloqueado em março de 2021 após uma ação judicial movida por um partido político de pouca expressão, com apoio de organizações não governamentais, que acabou sendo acolhida pelo Ministério Público Federal e, posteriormente, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para o ex-ministro, a decisão do Judiciário teve impacto direto na capacidade do país de avançar em infraestrutura.

Ao comparar a situação brasileira com outros países, Rebelo destacou o avanço acelerado da malha ferroviária chinesa. Segundo ele, enquanto a Ferrogrão segue paralisada há anos, a China já teria construído dezenas de milhares de quilômetros de ferrovias, permitindo conexões diretas entre cidades e países distantes, inclusive na Europa.

Rebelo argumentou que a ausência da ferrovia compromete o escoamento da produção agrícola de uma das regiões mais estratégicas do país. Atualmente, segundo ele, o transporte depende quase exclusivamente da BR-163, que recebe diariamente entre 2.500 e 3.000 carretas, muitas vezes em condições precárias. Além disso, ressaltou que o porto de Miritituba, embora moderno, opera abaixo do seu potencial por falta de integração logística adequada, como ferrovias e hidrovias.

Na avaliação do ex-ministro, a paralisação da Ferrogrão não se explica apenas por questões ambientais ou jurídicas, mas envolve interesses geopolíticos mais amplos. Ele defende que o debate sobre o projeto precisa considerar o papel da infraestrutura no crescimento econômico, na competitividade do agronegócio e na soberania nacional.

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