DESTAQUEEstados UnidosMUNDOPolíticaRecentesVenezuela

Delcy Rodríguez assume protagonismo político em meio à pressão dos EUA e à crise venezuelana

O petróleo voltou a ocupar posição central no cenário político da Venezuela diante dos recentes desdobramentos envolvendo a liderança do país. A presidente interina, Delcy Rodríguez, passou a ser a principal figura no tabuleiro político ao sinalizar uma mudança de discurso e defender a abertura de diálogo com os Estados Unidos, em um momento de forte tensão interna e externa.

A inflexão ocorreu após a captura do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em uma operação conduzida por forças americanas. Diante do novo contexto, Delcy adotou um tom mais conciliador ao propor cooperação internacional baseada em uma agenda de “desenvolvimento compartilhado”, apesar de anteriormente ter criticado a ação americana e classificado o episódio como ilegal.

Em manifestações públicas, a presidente interina afirmou que busca relações respeitosas com Washington e defendeu a observância do direito internacional, além de pedir a redução das tensões militares na região. O discurso marca uma tentativa de equilíbrio entre a preservação do chavismo, a pressão dos Estados Unidos e a necessidade de manter estabilidade institucional no país.

À frente também do Ministério do Petróleo, Delcy Rodríguez é vista como uma das integrantes mais pragmáticas do núcleo governista. Seu papel estratégico se intensificou diante das declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que indicou disposição para negociar com a dirigente venezuelana, ao mesmo tempo em que elevou o tom de ameaça caso não haja cooperação, especialmente no setor energético.

Nos bastidores, a transferência das atribuições presidenciais para Delcy, justificada oficialmente como ausência temporária de Maduro, foi interpretada como um movimento que atende a interesses externos e à lógica de sucessão interna do chavismo. A decisão também reposicionou o debate sobre uma possível transição política no país.

Com trajetória marcada por cargos estratégicos, Delcy acumulou funções relevantes nos últimos anos, como a coordenação da resposta à pandemia de Covid-19 e negociações envolvendo a abertura controlada do setor petrolífero a empresas estrangeiras. Em 2025, esteve à frente de acordos com companhias internacionais, reforçando sua influência no setor considerado vital para a economia venezuelana.

No cenário interno, a presidente interina divide o poder com figuras centrais do regime, como o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, e o ministro do Interior e Justiça, Diosdado Cabello. A coesão entre essas lideranças é apontada como essencial para a manutenção do chavismo no poder.

Enquanto aliados internacionais e opositores levantam versões distintas sobre os bastidores da captura de Maduro, Delcy Rodríguez enfrenta um dilema político: manter diálogo com os Estados Unidos sem ser vista como submissa e, ao mesmo tempo, preservar o apoio da base chavista, evitando acusações de traição.

Ao ajustar o discurso entre firmeza e conciliação, a presidente interina tenta conduzir a Venezuela em um período de incertezas, no qual petróleo, diplomacia e estabilidade política seguem no centro das disputas que definirão os próximos rumos do país.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *