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Reportagem de Malu Gaspar gera reação política e reacende debate sobre atuação da imprensa contra o STF

Uma reportagem assinada pela jornalista Malu Gaspar, publicada pelo jornal O Globo às vésperas do Natal, provocou forte repercussão no meio político ao atribuir ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, contatos com o presidente do Banco Central para tratar de temas relacionados ao Banco Master. O conteúdo rapidamente passou a ser usado por setores da direita para defender a abertura de CPI e até novos pedidos de impeachment contra o magistrado.

A matéria se apoia em relatos de fontes anônimas — seis, segundo a própria colunista — e não apresenta documentos ou registros oficiais que confirmem as acusações. Mesmo assim, ganhou ampla visibilidade e foi incorporada ao discurso de parlamentares e influenciadores ligados ao bolsonarismo, que tratam o caso como prova de irregularidades.

Nas redes sociais, a atuação da jornalista virou alvo de críticas. Usuários e analistas questionam o método de apuração baseado em fontes em “off” e apontam semelhanças com práticas associadas à Operação Lava Jato, marcadas por vazamentos e narrativas construídas sem comprovação material. Também surgiram cobranças sobre o que seria um tratamento seletivo em relação a episódios envolvendo figuras da direita, como a ausência de comentários sobre valores encontrados com o deputado Sóstenes Cavalcante.

Ao mesmo tempo, cresceu uma mobilização de apoio ao ministro Alexandre de Moraes. A campanha digital “EU TÔ COM XANDÃO” reuniu comunicadores e influenciadores progressistas que veem o magistrado como símbolo de resistência institucional diante de ataques ao Judiciário e à democracia.

Diante da repercussão, Moraes divulgou nota afirmando que os encontros com dirigentes do sistema financeiro tiveram caráter estritamente técnico e institucional. Segundo o ministro, as reuniões ocorreram no contexto da aplicação da Lei Magnitsky e trataram apenas dos impactos da legislação internacional sobre o sistema bancário, sem qualquer relação com favorecimento a instituições específicas.

O ministro informou que participou de encontros com representantes do Banco Central, Banco do Brasil, Itaú, Febraban, BTG e Santander, todos voltados à análise de efeitos sistêmicos da lei. Ele negou interferência em processos administrativos ou qualquer tipo de pressão sobre órgãos reguladores.

Mesmo após o esclarecimento, a reportagem continua sendo usada como peça central de uma ofensiva política mais ampla contra o STF. Para setores da mídia independente, o episódio repete um padrão histórico: denúncias consideradas frágeis, amplificação por grandes veículos e criação de um ambiente de pressão institucional em momentos sensíveis do cenário político.

Jornalistas como Kiko Junqueira e Moisés Mendes, em análises publicadas em veículos alternativos, avaliam que há uma ação coordenada de parte da grande imprensa para desgastar a imagem de Moraes e, por consequência, enfraquecer o Supremo. Em seus textos, ambos relacionam o movimento a episódios anteriores da história política brasileira e apontam que o objetivo seria criar um ambiente favorável a mudanças no cenário eleitoral de 2026.

As análises também destacam que, embora relações entre agentes públicos e setores privados devam ser apuradas com rigor, o foco atual extrapola o fato específico e passa a representar, para esses críticos, uma tentativa de deslegitimação do STF como instituição.

O debate segue aberto e deve continuar mobilizando imprensa, classe política e redes sociais nos próximos dias, enquanto a reportagem permanece no centro de uma disputa que mistura jornalismo, narrativa política e embates institucionais.

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