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Ucrânia sinaliza desistência de ingresso na Otan antes de negociações de paz

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou que o país está disposto a abrir mão da adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) como parte de um possível acordo para encerrar a guerra com a Rússia, desde que receba garantias de segurança de países ocidentais.

A sinalização ocorre às vésperas de reuniões em Berlim com representantes dos Estados Unidos e de países europeus e marca uma mudança relevante na posição ucraniana. A entrada na Otan sempre foi tratada por Kiev como um dos principais instrumentos de proteção contra novas ofensivas russas e está prevista, inclusive, na Constituição do país.

Segundo Zelensky, diante da falta de consenso internacional para a adesão à aliança militar, a Ucrânia avalia como alternativa a adoção de garantias de segurança juridicamente vinculantes, semelhantes às previstas no Artigo 5º da Otan, oferecidas por Estados Unidos, países europeus e outros aliados estratégicos.

Apesar da concessão, o governo ucraniano reforçou que não aceitará a perda de territórios como parte de um acordo de paz, mantendo a defesa da integridade territorial do país.

Condições russas e impasses

A possível desistência da entrada na Otan atende a uma das principais exigências de Moscou, que também cobra a neutralidade militar da Ucrânia e a retirada de tropas de áreas estratégicas do leste do país. O Kremlin defende ainda que nenhuma força da Otan seja instalada em território ucraniano.

No cenário diplomático, segue em análise um plano de negociações com múltiplos pontos, que prevê, ao final, a implementação de um cessar-fogo ao longo das atuais linhas de frente. Kiev afirma que não mantém negociações diretas com a Rússia neste momento.

Momento decisivo do conflito

As conversas ocorrem em meio a forte pressão internacional para o encerramento do conflito, que já se tornou o mais grave da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Países europeus trabalham para ajustar propostas que garantam segurança à Ucrânia sem novas concessões territoriais.

Enquanto os esforços diplomáticos avançam, a guerra segue provocando graves impactos humanitários, com ataques a infraestruturas essenciais e milhares de pessoas afetadas pela falta de energia, água e aquecimento.

Para o governo ucraniano, qualquer acordo só será viável se houver garantias concretas de que o país não voltará a ser alvo de novas agressões militares no futuro.

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