Tensão cresce: qual a real chance de os EUA atacar a venezuela?
A movimentação militar dos Estados Unidos nos últimos dias reacendeu o debate sobre uma possível intervenção na Venezuela. O envio de tropas e veículos para Porto Rico elevou a preocupação internacional e alimentou especulações sobre os próximos passos de Washington em relação ao governo de Nicolás Maduro.
Leandro Consentino, professor de relações internacionais do Insper, afirmou que o cenário ainda é incerto. Segundo ele, embora a possibilidade de um ataque seja maior do que em momentos anteriores, não há indicação concreta de que os EUA estejam prestes a iniciar uma ofensiva.
“Há uma chance mais alta do que antes, mas ainda não existe certeza sobre qualquer ação militar”, afirmou.
Movimentos dos EUA podem ser apenas demonstração de força
Consentino avalia que o deslocamento de tropas pode ter caráter simbólico. Grande parte das disputas no cenário internacional ocorre por meio de sinais de poder, usados para pressionar adversários sem necessariamente partir para o confronto direto.
Para ele, o governo de Donald Trump estaria ampliando a pressão sobre Maduro com o objetivo de forçá-lo a negociar ou até abandonar o cargo. A movimentação, nesse caso, funcionaria como instrumento de dissuasão.
Intervenção teria custos diplomáticos elevados
Segundo Consentino, uma ação militar na Venezuela provocaria forte impacto político e jurídico. Além de violar a soberania do país sul-americano, uma ofensiva poderia comprometer acordos internacionais e gerar instabilidade na região.
Ele ressalta ainda que um conflito armado contrastaria com a tentativa de Trump de ser associado a iniciativas de paz, já que qualquer operação desse tipo deixaria marcas de violência.
Nos bastidores, sinais de diálogo continuam existindo. A confirmação de um telefonema entre Trump e Maduro demonstra que, apesar das ameaças públicas, existe busca por alternativas negociadas.
Justificativas e riscos para a América Latina
Ao analisar os argumentos apresentados pelos Estados Unidos, como o combate ao narcotráfico, Consentino alerta para o uso desse tema como justificativa para intervenções externas. Ele afirma que o narcotráfico funciona como “carta coringa”, podendo ser utilizado para ameaçar ações militares em diferentes países.
O professor compara a narrativa norte-americana ao discurso russo na invasão da Ucrânia, onde a justificativa de segurança nacional também foi usada para romper a soberania de outro Estado.
Consentino conclui que qualquer movimento militar dos EUA abre um precedente perigoso para a estabilidade latino-americana. “Esse tipo de atitude pode desencadear novas intervenções em uma região historicamente marcada pela paz”, afirmou.

