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Petistas e bolsonaristas confiam mais em seus grupos do que em desconhecidos, aponta pesquisa do ConnectLab

Uma pesquisa sobre polarização política realizada pelo ConnectLab, novo centro de estudos da FGV, em parceria com a Quaest, revelou que petistas e bolsonaristas confiam em seus próprios grupos quase tanto quanto confiam em suas famílias, mas demonstram desconfiança extrema em relação ao grupo oposto. O estudo foi conduzido entre 13 e 17 de agosto de 2025, com 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, e tem margem de erro de 2 pontos percentuais.

Segundo os dados, em uma escala de 0 a 10, bolsonaristas confiam em suas famílias com nota média 8,3, e em seu grupo político, 7,8. Entre petistas, os valores foram 7,5 para a família e 7,3 para o grupo. Já a confiança em pessoas de modo geral caiu para 4,5 para ambos os grupos, e em relação ao adversário político, despencou: 0,8 para bolsonaristas em relação a petistas e 1 para petistas em relação a bolsonaristas.

A pesquisa também mapeou percepções de desumanização: os participantes avaliaram seu próprio grupo como mais “evoluído” em comparação ao oposto. Petistas se deram nota média de 8,2, enquanto atribuíram 2,4 aos bolsonaristas; os bolsonaristas se autodenominaram 8,5 e deram 2,5 aos petistas. Para os pesquisadores, isso evidencia uma polarização afetiva simétrica, em que ambos os lados enxergam o adversário como inimigo.

Os impactos da polarização também aparecem no cotidiano:

  • Muitos não matriculariam seus filhos em escolas frequentadas por famílias do grupo oposto.
  • Alguns evitariam fazer compras em estabelecimentos de proprietários de opinião contrária.
  • Pelo menos 50% dos participantes relatam que diminuiriam ou cortariam contato com amigos do outro grupo político.

Além disso, grande parte dos brasileiros acredita que o grupo adversário poderia apoiar violência política ou aprovar leis prejudiciais: 75% e 74%, respectivamente, considerando os que acreditam “muito” ou “um pouco”.

Quanto à autodeclaração política, os entrevistados se posicionaram assim:

  • Independentes: 31%
  • Direita: 25%
  • Bolsonaristas: 13%
  • Esquerda: 15%
  • Petistas: 16%

No entanto, quando questionados sobre o tamanho desses grupos na sociedade, a percepção mudou: bolsonaristas e petistas superestimam seu peso, enquanto independentes subestimam. Segundo os pesquisadores, essa percepção amplifica a polarização, criando um ciclo vicioso de desconfiança e hostilidade.

A pesquisa evidencia como a polarização política no Brasil não é apenas ideológica, mas também afetiva, influenciando relações pessoais, consumo e convivência social, além de reforçar a percepção de ameaça entre os grupos.

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