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Maduro ofereceu petróleo e minerais da Venezuela aos EUA para evitar confronto militar

O governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro propôs aos Estados Unidos concessões amplas sobre a riqueza petrolífera e mineral do país como forma de evitar um conflito armado, segundo relatos de fontes próximas às negociações. A oferta incluía a abertura de projetos de petróleo e ouro para empresas americanas, contratos preferenciais para negócios dos EUA e o corte de acordos com empresas chinesas, russas e iranianas.

Diplomacia frustrada

As negociações ocorreram durante meses, enquanto o governo Trump classificava Maduro como líder de um “cartel narco-terrorista”, aumentava sua presença militar no Caribe e atacava embarcações suspeitas de transportar drogas venezuelanas. Apesar das concessões oferecidas por Maduro, o governo americano rejeitou o acordo e cortou as vias diplomáticas, encerrando qualquer perspectiva imediata de entendimento.

Autoridades americanas ainda divergem sobre o impacto das conversas. Enquanto alguns minimizam os relatos de negociações, outros confirmam que houve discussões sobre a normalização econômica, incluindo o acesso de empresas americanas ao mercado de energia venezuelano e o levantamento de sanções.

Pressão política nos EUA

O senador Marco Rubio, aliado do governo Trump e crítico ferrenho de Maduro, tem pressionado pela remoção do líder venezuelano, chamando-o de “fugitivo da justiça americana”. A postura de Rubio prevaleceu sobre tentativas diplomáticas conduzidas pelo enviado especial Richard Grenell, que buscava uma abordagem mais pragmática.

Bastidores da oferta de Maduro

Segundo fontes, Maduro ofereceu reverter o fluxo das exportações de petróleo da Venezuela da China para os EUA, abrir todos os projetos petrolíferos e minerais do país a empresas americanas e conceder contratos preferenciais a negócios dos EUA. Em contrapartida, se esperava que Washington reduzisse sua pressão militar e suas sanções.

Apesar das ofertas, o futuro político de Maduro continuou como ponto de impasse: o presidente venezuelano deixou claro que não negociaria sua saída. O ministro das Relações Exteriores, Yván Gil, reiterou que o governo permanece firme em seu controle político, enquanto mantém aberto o diálogo econômico.

Tentativas de aproximação econômica

Nos bastidores, a estatal venezuelana de petróleo permitiu que a Chevron ampliasse sua participação em projetos conjuntos, e negociações com a ConocoPhillips, que deixou o país em 2007, avançaram até este ano. Pequenas vitórias para o engajamento econômico ocorreram, como a reativação de licenças do Departamento do Tesouro dos EUA que permitem à Chevron operar na Venezuela e à Shell retomar produção de gás no campo Dragon, próximo a Trinidad.

Para Maduro, o principal objetivo das concessões era demonstrar que a Venezuela continua aberta a investimentos estrangeiros, mesmo diante de sanções e tensões políticas.

Contexto econômico

A Venezuela atualmente produz cerca de 1 milhão de barris de petróleo por dia, significativamente abaixo dos 3 milhões de barris no início do governo de Hugo Chávez. A maior parte das exportações vai para a China, exceto cerca de 100 mil barris por dia vendidos pela Chevron para os EUA. Analistas apontam que a produção poderia crescer rapidamente com capital estrangeiro, embora haja dúvidas sobre a viabilidade sob o atual governo.

Opiniões da oposição

A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, apresentou uma proposta econômica alternativa que prevê US$ 1,7 trilhão em investimentos americanos nos próximos 15 anos, condicionados à transição política e ao fortalecimento da democracia. Sua assessora econômica, Sary Levy, afirmou que os acordos oferecidos por Maduro não garantem estabilidade, mas sim controle mantido pelo terror.

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