đ â73,9% das mortes por vacinaâ? Entenda a polĂȘmica e o que a ciĂȘncia realmente diz sobre miocardite e COVID
Nos Ășltimos dias, um vĂdeo voltou a circular nas redes sociais com uma fala atribuĂda a um mĂ©dico afirmando que â73,9% das mortes analisadas em autĂłpsias apĂłs a vacinação contra a COVID foram causadas pela vacinaâ.
A declaração tem gerado medo e desinformação, mas a histĂłria por trĂĄs desse nĂșmero Ă© bem diferente.
đ O que estĂĄ por trĂĄs da estatĂstica
O nĂșmero citado vem de uma revisĂŁo de autĂłpsias feita por um grupo de pesquisadores que analisou casos de pessoas que morreram apĂłs a vacinação.
O problema Ă© que o estudo â que afirmava que a maioria das mortes tinha relação com a vacina â apresentava graves falhas metodolĂłgicas:
- selecionava apenas casos suspeitos (sem grupo de comparação),
- não seguia critérios padronizados para determinar causa de morte,
- e fazia conclusÔes amplas com base em uma amostra pequena e não representativa.
Devido a essas falhas, o trabalho foi criticado pela comunidade cientĂfica, retirado por revistas mĂ©dicas e republicado em veĂculos de baixa credibilidade. Mesmo assim, continua sendo usado por grupos antivacina como âprovaâ de que as vacinas seriam perigosas â o que nĂŁo Ă© verdade.
â€ïž O que a ciĂȘncia realmente mostra
A miocardite, inflamação do mĂșsculo do coração, pode ocorrer em raros casos apĂłs vacinas de RNA mensageiro (como Pfizer e Moderna).
Geralmente, aparece em homens jovens, alguns dias apĂłs a segunda dose.
Mas os dados mostram que:
- A maioria dos casos Ă© leve e se resolve com tratamento;
- E o risco de miocardite Ă© muito maior apĂłs contrair COVID-19 do que apĂłs ser vacinado.
Em outras palavras: a infecção pelo coronavĂrus Ă© muito mais perigosa para o coração do que a vacina.
đ§ Por que o vĂdeo engana
O trecho compartilhado cria a impressĂŁo de que a maioria das pessoas vacinadas estĂĄ morrendo por causa das vacinas â o que Ă© completamente falso.
As vacinas contra a COVID passaram por ensaios clĂnicos rigorosos, foram aprovadas por agĂȘncias internacionais e continuam sendo monitoradas em tempo real.
Nenhum sistema de vigilĂąncia sĂ©rio encontrou indĂcios de mortalidade elevada associada Ă vacinação.
â ConclusĂŁo
O vĂdeo que circula nas redes distorce dados de um estudo falho para espalhar desinformação.
As vacinas contra a COVID continuam sendo seguras e eficazes na prevenção de formas graves da doença.
A miocardite pĂłs-vacina Ă© rara, geralmente leve, e o risco de complicaçÔes cardĂacas Ă© muito maior em quem se infecta com o vĂrus.

