CPI do INSS avança com dados do Coaf e da Receita para identificar responsáveis por desvios bilionários
A CPI Mista do INSS entrou em uma nova fase após receber esta semana relatórios detalhados sobre movimentações bancárias suspeitas e informações obtidas por quebras de sigilo fiscal. Os documentos, fornecidos pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e pela Receita Federal, trazem dados sigilosos que podem ajudar a identificar os responsáveis por um esquema de desvios estimado em mais de R$ 8 bilhões dos cofres da Previdência.
Segundo a comissão, o material inclui informações sobre pessoas físicas, entidades e empresas envolvidas nas investigações. Desde segunda-feira (29), o Coaf enviou cerca de 125 pacotes de dados, incluindo movimentações financeiras suspeitas que apontam possíveis irregularidades — embora não sejam provas definitivas de crime. Entre os citados estão o ex-superintendente do INSS Alessandro Stefanutto, a entidade Conafer e seu presidente, Carlos Roberto Ferreira Lopes, preso recentemente, além do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “careca do INSS”.
Na quinta-feira (2), a Receita Federal começou a enviar relatórios com quebras de sigilo fiscal solicitadas pela comissão, com dados de dez casos inicialmente. Entre eles, informações sobre a Prospect Consultoria Empresarial Ltda., ligada ao “careca do INSS”. A CPI ainda aguarda novos pacotes com quebras de sigilo bancário e demais dados complementares.
Embate político no Congresso
A chegada das informações intensificou o clima político na comissão. Governistas e oposição protagonizaram acirrados debates sobre supostos vínculos dos governos Lula e Bolsonaro com as fraudes. Durante depoimento do ministro-chefe da CGU, Vinicius de Carvalho, nesta quinta-feira, o foco foi direcionado a irregularidades ocorridas antes de 2023. Carvalho defendeu as ações da CGU e do atual governo, mas reconheceu falhas nos mecanismos de controle.
Para o presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), o episódio evidenciou a fragilidade dos sistemas de fiscalização do governo. “Ficou claro que todos os nossos mecanismos de controle contra a corrupção e o desvio de dinheiro, especialmente na Previdência, falharam”, afirmou.
A comissão segue investigando a origem das fraudes, a dimensão do esquema e quem foram os beneficiários das propinas e descontos ilegais que duraram anos.

