Especialistas alertam para avanço sutil de estrangeiros no controle de terras brasileiras
O controle de terras por estrangeiros no Brasil ocorre de forma indireta e pouco fiscalizada, segundo especialistas que participaram do Simpósio Internacional sobre Propriedade e Estrangeiros, realizado na USP.
O advogado Ney Strozake (MST) afirmou que empresas internacionais utilizam mecanismos jurídicos para explorar commodities voltadas à exportação, deixando comunidades locais em situação de miséria. Ele defendeu maior atuação do Estado e fortalecimento do Incra.
O economista Sérgio Pereira Leite (UFRRJ) destacou que dados oficiais subestimam o problema, já que o capital externo opera por meio de fundos de investimento e subsidiárias nacionais. De 2005 a 2023, o número de fundos estrangeiros especializados em terras saltou de 43 para 960. Casos como os do fundo TIAA e da Universidade Harvard mostram que empresas estrangeiras controlam terras no Piauí e na Bahia, elevando preços e provocando deslocamento de populações locais.
As discussões também abordaram a necessidade de novas regulações para proteger a soberania fundiária do país. A advogada Mônica Sapucaia Machado ressaltou que a questão envolve democracia e desenvolvimento na América Latina, enquanto outras especialistas lembraram da desigualdade de gênero na posse de terras e da invisibilização de povos originários nesse processo.

