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Presidente da CPI do INSS decreta prisão em flagrante de operador ligado ao “Careca do INSS” por omissão de informações

Brasília — O presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), determinou a prisão em flagrante de Rubens Oliveira, apontado como intermediário no esquema de descontos irregulares em benefícios previdenciários, durante sessão nesta terça-feira (24). Segundo Viana, Oliveira omitiu documentos e informações cruciais ao colegiado.

“Em vários momentos, ele omitiu informações, escondeu documentos e sabia de movimentações relevantes”, afirmou o senador. “Ficou constatado crime de falsidade contra a CPI, previsto em lei com prisão em flagrante.”

A decisão marcou a primeira prisão efetivada pela CPI, que até então havia apenas recomendado prisões preventivas ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O advogado de Oliveira, Carlos Urquisa, contestou a medida antes mesmo de sua execução. “Não se pode decretar prisão em flagrante por falso testemunho. Sistematicamente, ele foi coerente e honesto”, disse Urquisa, ressaltando que o cliente possui habeas corpus concedido pelo ministro Luiz Fux.

Rubens Oliveira é investigado como sócio e intermediário em repasses de propina ligados a Antonio Carlos Antunes Camilo, conhecido como “Careca do INSS”. Durante depoimento, admitiu que a Prospect Consultoria — empresa de Antunes — transferiu R$ 6,8 milhões a firmas ligadas a altos funcionários do INSS implicados no esquema.

Integrantes da CPI pressionaram pela prisão ao longo da oitiva. O deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da comissão, defendeu a prisão preventiva e pediu que Viana decretasse prisão em flagrante pela “ocultação dolosa de documentos”. O vice-presidente da CPI, deputado Duarte Jr. (PSB-MA), reforçou: “Precisamos que esta CPI seja tratada com respeito. Ela será respeitada quando aquele que mentir aqui for preso.”

Rubens Oliveira negou envolvimento em pagamentos de propina e afirmou não ter sido sócio das empresas investigadas, declarando atuar apenas como administrador financeiro. Amparado por habeas corpus, recusou responder a diversas perguntas durante seu depoimento.

O episódio intensifica a crise envolvendo a CPI do INSS e adiciona tensão às investigações sobre o suposto esquema fraudulento que envolve servidores e operadores ligados a benefícios previdenciários.

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